A Internet é hoje um ambiente familiar para a maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2019 – realizada pelo Centro Regional para o Desenvolvimento de Estudos sobre a Sociedade da Informação (cetic.br) – mais de 134 milhões de brasileiros acessam a Internet com alguma frequência.1 Isso equivale a afirmar que entre 4 brasileiros pelo menos 3 já acessam a Internet.
Seja para frequentar uma rede social de relacionamentos, acessar um portal de notícias, mandar uma carta ou um recado para alguém, fazer compras, pesquisar preços e produtos, frequentar um museu, assistir um show, um filme e até mesmo uma peça de teatro, pedir uma pizza, tomar um táxi, consultar a previsão do tempo e etc; numa lista praticamente interminável, a Internet já faz parte do cotidiano dos brasileiros. Mais do que isso, de certa maneira já faz parte até mesmo da nossa intimidade.
Das plataformas de encontros amorosos aos nossos perfis pessoais é toda uma trama de relações específicas que se vão construindo. O pessoal e o digital estão tão entrelaçados nos dias de hoje que mesmo as atividades mais íntimas acabam “parando” nas redes sociais. O movimento é de mão dupla. Não apenas as coisas íntimas vão se tornando públicas através das redes, como também as figuras públicas vão se tornando íntimas através da dinâmica dessas mesmas redes. É o youtuber que você “recebe” na sua casa através das telas do computador ou do celular – e com o qual você interage no Twitter ou Facebook – é o coach que você escuta antes de tomar uma decisão.
Diante disso, cabe sempre a pergunta: agimos bem quando atribuímos tamanha importância aos conteúdos oriundos da Internet ou das redes sociais? Estaríamos nos servindo de uma ferramenta versátil e potente ou; antes, estaríamos, por conta própria, nos tornando apenas uma pecinha insignificante no interior de uma engrenagem que nos atravessa e nos engole?
Não é possível responder essa pergunta levando apenas em consideração a existência da internet. Não podemos deduzir da natureza da Internet a relação que estabelecemos com as mais diversas redes. Assim como não é possível deduzir da natureza do pincel se ele é usado para produzir obras de arte ou se é usado para fazer cócegas nos pés de uma criança, o mesmo vale para Internet. Podemos colocar nossa personalidade à serviço das grandes plataformas de interação digital, ou podemos fazer das redes e plataformas um uso que potencialize os nossos conhecimentos e interesses. Podemos nos servir ou estar à serviço.
É verdade também que com o avanço das Sociedades Digitais boa parte da vida das pessoas e das cidades acaba sendo absorvida pelos meios digitais – queiramos ou não. São serviços bancários, plataformas de emprego, meios de pagamentos e de certificação que justamente por serem cada vez mais informatizados fazem com que não possamos nos desvencilhar por completo das redes digitais. Mas nem por isso a internet nos torna mais ou menos livres. Afirmar o contrário seria a mesma coisa que pressupor que as leis da física tornam o movimento dos corpos mais ou menos livres.
Ainda que não possamos escapar da gravitação universal nem por isso alguns deixam de se tornar acrobatas. Tudo é uma questão de uso. Podemos cair e tropeçar ou podemos também usar as leis da gravidade em nosso benefício. Mesmo que para a maioria de nós o Cirque du Soleil seja sempre uma possibilidade remota – isto é, uma impossibilidade – ao mesmo tempo, todo mundo possui o seu charme – na dança, na bola, na luta, ou simplesmente caminhando. Sabemos nos servir do movimento.

O mesmo deveria valer para a Internet. Devemos aprender a nos servir de sua potência. Devemos usar a Internet em nosso favor. Por que enfrentar horas de congestionamento – arcando com os custos de deslocamento – se podemos contratar serviços e adquirir produtos sem sair das nossas casas? Por que não resolver as pendências chatas da vida – como pagar contas e ir ao supermercado – de pijama e tomando um belo café, enquanto reservamos o nosso tempo precioso para cuidarmos de nós mesmos e da nossa família?
Os benefícios da Internet nesses e em outros aspectos são evidentes. E se ainda não utilizamos todo o potencial envolvido nessas operações é simplesmente porque ainda não confiamos plenamente na segurança da Internet. Como tudo aquilo que é novo, a Internet envolve o receio e a desconfiança. Como saber se a informação é verídica, que o produto é bom e o vendedor é confiável? Para ajudar nessa confusão não faltam os espertalhões dispostos a abusar da confiança e da boa intenção dos usuários e consumidores. Mas não se preocupe. Da mesma forma que existem meios para saber se os pães de uma padaria são deliciosos e confiáveis existem pequenas técnicas que nos orientam na tarefa de saber se podemos confiar numa determinada informação ou atribuir credibilidade a um vendedor ou produto.
Conheça três ações para conferir a credibilidade aos ambientes digitais em que você navega:
Essas pequenas técnicas estão resumidas em 3 ações bastante simples que todo mundo pode fazer.
1. A primeira delas é a pesquisa. A Internet é uma maravilha para todos aqueles que possuem interesses de pesquisa. Mas é fundamental saber usar. Com ferramentas como o Google Acadêmico ou a plataforma Scielo todo usuário pode ter acesso a uma infinidade de artigos científicos elencados a partir dos interesses e curiosidades dos usuários. Basta fazer uma pesquisa usando as palavras chave de seu interesse que tanto o Google Acadêmico quanto a plataforma Scielo vão listar um conjunto de artigos científicos nos quais se discute em profundidade os temas elencados por você.
2. A segunda ação de credibilidade é a interação. Interaja com as páginas e perfis do seu interesse. Valendo-se da primeira ação – isto é da pesquisa – crie uma situação de interação na qual você poderá comprovar a credibilidade do seu interlocutor. Visite as páginas, verifique as fontes e consulte se seu interlocutor estabelece as provas dos argumentos ou produtos por ele oferecidos. Se além de fotos oferece vídeos do produto, no qual você possa comprovar a qualidade do material. Todo site digno de confiança constrói a sua credibilidade através de uma rede que envolve outros parceiros. Sites de informação tem a obrigação – ainda que lhe seja garantido direito de anonimato – de apresentar as fontes de onde o seu discurso é extraído. Desconfie sempre daqueles que omitem as próprias fontes.
3. Por fim mas não menos importante, a terceira ação de credibilidade consiste em criar uma relação dialógica com o seu interlocutor. Quebre o anonimato e o distanciamento imposto pelos meios digitais. Escreva, questione, deixe suas dúvidas, críticas e sugestões. Crie as condições de possibilidade para que a interação digital se aproxime ao máximo das interações face a face.
Dessa maneira, com essas três pequenas regrinhas e com a orientação de utilizarmos a Internet em nosso favor podemos nos apropriar dessa ferramenta não apenas para tornar as tarefas básicas do dia a dia ainda mais cômodas e menos enfadonhas, como podemos também aproveitar o vasto material fornecido pelas redes para ampliarmos ainda mais os nossos conhecimentos e interesses. Tudo é uma questão de saber usar. Pois a mesma ferramenta que pode fazer com que atribuamos importância a opiniões absurdas de pessoas desconhecidas pode nos conectar com referências especializadas colocando anos de pesquisa a nossa disposição a custo zero e na distância de um clique.
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