A transpiração dos bebês

Published by

on

Escrever sobre suor e transpiração em meio a chegada do inverno pode parecer um pouco contraditório, não é mesmo? Afinal, quando pensamos em suor logo associamos o fenômeno ao calor, aos esportes de verão e (por que não?) às tardes quentes na praia. Mas e quando o assunto é o suor dos nossos bebês? Aí, a coisa muda de figura. Sejamos pais experientes ou de primeiríssima viagem o fato é que o suor dos bebezinhos é algo que esquenta a nossa cuca. Para dirimir algumas dúvidas e deixar você papai ou você mamãe um pouco mais tranquilos (ou, não!) enquanto seu pequenino “sua em bicas”, nós do blog da Um Balalum vamos trazer para você um pouco do que diz a ciência sobre o assunto.

Imaginem a seguinte cena: chegada do inverno no hemisfério sul. Nesse 2021 não foi apenas o inverno que chegou em meados de junho. Poucos dias antes da chegada da estação, Vera Lúcia finalmente conheceu Miguel, seu primeiro filho. O bebê nasceu robusto e risonho e em poucos dias Vera e Miguel já estavam encontrando uma maneira de estabelecer uma rotina de (privação de) sono e de amamentação. Contudo, havia algo que incomodava essa mamãe de primeira viagem: Miguel estava sempre suado. Com receio de resfriados e infecções, Vera Lúcia não desgrudava o termômetro do braço da criança. E, nada! A temperatura se mantinha normal, a rotina de sono e alimentação também. Por que raios a criança acordava tão molhada? Perguntava-se Vera Lúcia um tanto aflita.


Essa é uma preocupação comum de muitas mamães e papais, não apenas os de primeira viagem. Felizmente, hoje, a ciência e a pediatria trazem algumas respostas capazes de restituir o sono, esse bem tão raro e precioso, aos pais de crianças recém-nascidas. Vamos explorar aqui dois postulados que, bem compreendidos, vão nos permitir avaliar a situação dos nossos bebês para que, sabendo distinguir a transpiração decorrente dos processos metabólicos naturais do suor excessivo, saibamos avaliar os melhores cuidados para cada situação.

O primeiro postulado consiste na afirmação de que os bebês de até aproximadamente 20 meses apresentam um sistema termorregulatório ainda imaturo. Isso significa que estão sujeitos a uma maior oscilação de temperatura conforme a exposição ao ambiente. Significa também que podem se aquecer ao menor esforço, como, por exemplo, com a sucção da mamada. Em virtude disso, a transpiração deve ocorrer mediante o esforço e/ou mediante a exposição a ambientes mais quentes. Tudo que você pode fazer nesses casos é garantir que a criança não passe muito calor, ventilando o ambiente e apostando em roupas leves.


Ainda que o primeiro postulado esteja um pouco “fora de estação”, ainda mais levando em conta a frente fria que tomou o país nesses últimos dias, nunca é demais lembrar que a despeito de toda fragilidade epidérmica dos bebês eles também sentem calor.


Já o segundo postulado tem muito haver com o inverno e justamente por isso precisa ser bem avaliado. Estamos falando aqui do suor noturno. Ou melhor, daquela transpiração abundante que acomete o bebê durante o sono (que só podemos considerar como suor noturno para o caso de papais e mamães sortudas). Quem nunca agasalhou e aconchegou os bebês numa noite de inverno e despertou, ou foi despertado, com a sensação de haver exagerado na roupa? Não é nada raro encontrar no berço um bebê molhado de suor, mesmo em uma noite fria de inverno.


Além da nossa incorrigível tendência de exagerar nos agasalhos e cobertores visando proteger nossos filhos da intempérie, o que pode levar ao extremo oposto, gerando um calor excessivo, a ciência descobriu que o suor noturno dos bebês pode estar vinculado a uma maior qualidade do sono. Isso tudo porque quando entramos no estágio do sono profundo, a chamada fase 3 do sono, além de percebermos um relaxamento muscular e cerebral intenso, podemos observar um ligeiro aumento na transpiração, o mesmo valendo para os adultos. Algo que aliás pode ser observado na expressão facial dos bebês, que deverão descrever traços de contentamento e muitas vezes de alívio.

Ficar atento aos nossos filhos, com informação e conhecimento, é sempre a melhor maneira de distinguir o normal do patológico. Caso seu filho apresente oscilações bruscas de temperatura ou apresente uma transpiração excessiva acompanhada de febre não exite em procurar o profissional de saúde da sua confiança. Já para os casos de transpiração decorrente dos processos metabólicos naturais, o melhor mesmo é estarmos atentos à hidratação dos nossos pequenos e assim como às roupas com que vestimos nossos bebês. Para crianças cuja dieta permite a ingestão de líquidos para além do leite materno a sugestão é fornecer pequenas doses de água ao longo do dia, permitindo uma hidratação frequente e constante. Em relação às roupas, sobretudo aquelas que ficarão em contato direto com o bebê, quase como uma segunda pele como são os bodies, os quimonos e as camisetas, a sugestão é optar sempre por tecidos 100% algodão. Ainda que você deseje colocar um macacão mais quentinho, como o plush ou o soft, não deixe de vestir por baixo uma peça de algodão. A pele do seu bebê agradece.


Se você gostou do conteúdo inscreva-se no nosso site. Suas dúvidas ou sugestões podem ser o tema da nossa próxima coluna. Sua opinião é muito valiosa para o nosso blog. Venha você também fazer parte desse balão!

Deixe um comentário