Essa é a história de uma contadora de histórias e de um bebê que mudou o mundo. Contar histórias faz parte dos meus hobbies, assim como criar estampas, pintar e escrever. Digo hobbies, porque, ainda que seja trabalho, sempre priorizo os sonhos e a criatividade, assim posso criar com leveza.
Mas nem sempre foi assim…
Para todos nós existe um processo no qual nos tornamos adultos.
Na adolescência estranhamos o mundo e o criticamos fortemente. Temos uma necessidade urgente de mudá-lo. É aí onde se aflora a nossa consciência ecológica, social e cultural. Mas de alguma forma tudo isso faz com que nos afastemos do lúdico e da leveza. Por um bom tempo, essas foram as minha máximas.
Assim, moldei minhas produções de uma maneira bastante pesada. “Para ser crítico, tinha que ser sério” – pensava. Essa fase foi importante, foi assim que eu conclui meu mestrado em Antropologia. Mas antes que iniciasse o doutorado, uma coisa maravilhosa aconteceu. A chegada do Fidel… Quando estava grávida, lembro de pedir a ele que nos trouxesse um mundo novo.
Todo primeiro filho traz essa ansiedade de que o mundo talvez não seja bom o suficiente para ele. Ele chegou. Antes mesmo que eu percebesse, estava instaurado um novo mundo. Nesse mundo novo que ele trouxe, entre tantas maravilhas (e algumas angústias também), eu pude me reconectar com o fantástico e com o lúdico. O sorriso e a imaginação dele me trouxeram um novo interesse. Um interesse por aquilo que só as crianças podem nos ensinar.
Nada mais engraçado que a sinceridade dos pequenos, nada mais fantástico do que a forma como inventam personagens, nomes e objetos e como categorizam as coisas de maneira afetiva. O Fidel, meu filho, categoriza os vídeos que gosta de assistir como “Baby Shark de bravo” ou “Baby Shark de feliz”. Nada mais gostoso do que voltar a ser criança para estabelecer uma conversa de confiança com ele. Porque, acredite, entender as lógicas que animam a criatividade do meu filho – e dialogar com elas – tem me ajudado não apenas a desenvolver estratégias educativas exitosas, como também tem me ensinado a enxergar o mundo a partir de outros olhares.
A vinda do Fidel também trouxe retornos à infância para o pai dele. Viemos para São Paulo, sua cidade natal, e passamos a trabalhar na indústria de roupas para bebês, ramo que sua família atua há mais de meio século. Conhecendo melhor esse ramo, comecei a me surpreender com a falta de capilaridade que alguns produtos, muitos deles de qualidade excepcional, possuíam no mercado digital.
Decidi então criar um canal que pudesse, além de apresentar esses produtos ao público, tivesse também a capacidade de conectar ainda mais e melhor as mamães e os papais, as vovós e vovôs, as titias e titios a esse universo maravilhoso da infância. Através disso, este canal se tornou para mim uma oportunidade extraordinária de estar em contato com todos aqueles que estão passando por esse momento tão especial que é a chegada de uma criança.
Compor com as transformações que daí advém é um dos nossos principais objetivos.. Hoje me alegro em dizer que minha criatividade e imaginação estão a serviço desse projeto que pensa a infância como potencial transformador. Meu maior desejo é expressar esse novo mundo que foi plantado em mim através dessa sementinha chamada Fidel, retribuindo toda a alegria que ele me traz. Muito prazer em te conhecer…
Camile, mãe do Fidel.


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