Da Importância do Aleitamento Materno (Parte 1)

Published by

on

Saúde Para a Mamãe e para Bebê

O leite materno é o melhor alimento para o seu bebê! Como se pode notar na literatura científica(Ministério da Saúde 2009, FERNANDES e HÖFELMANN 2018, NARDI, FRANKENBERG, FRANZOSI, ESPÍRITO SANTO, 2018) é consenso, nas áreas da nutrição infantil e pediatria, que crianças que mamam tem menos tendência a desenvolver alergias de pele e respiratórias, diabetes e obesidade.

O leite materno ajuda no fortalecimento imunológico, fortalece o vínculo entre mamãe e bebê e auxilia no desenvolvimento físico, neural e psicológico da criança. Ou seja, amamentar é uma decisão tomada logo nos primeiros instantes da vida do seu bebê e que promoverá uma boa saúde por toda a vida do seu filho


Amamentar faz bem para a saúde da mãe, também. Pois auxilia na recuperação e retorno do útero ao seu tamanho normal no pós-parto. Pode ser relaxante e satisfatório e ainda, segundo algumas pesquisas, pode ajudar a prevenir uma nova gravidez.


A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e o aleitamento materno acompanhado de alimentação adequada complementar até os dois anos de idade ou mais. Segundo a revista Crescer2 o aleitamento prolongado, ou seja além dos dois anos de idade, pode ser muito benéfico para a criança, principalmente para o desenvolvimento lógico e psico-afetivo.


O Aleitamento materno exclusivo, que deve ser implementado até os seis meses, significa que o seu bebê só precisará do seu leite como alimento. Não é necessário e nem recomendado que se faça complementação alimentar até esta idade, nem mesmo com água ou suco. Embora a invenção das fórmulas alimentares possa ter possibilitado um aumento na sobrevivência de crianças não amamentadas, seu uso só deve ser feito em casos em que a mãe realmente não pode amamentar – como gestantes portadoras de HIV ou doenças metabólicas ou que estão passando por tratamentos com remédios fortes. Com exceção desses casos específicos, a maioria das mulheres têm plenas condições de fazer o aleitamento materno e devem ser incentivadas e amparadas para fazê-lo.


Amamentar é a melhor decisão que uma mãe pode tomar para garantir a saúde de seu filho. Se você está na dúvida, pense com carinho. A amamentação não é só uma dádiva e um ato de amor, é um ato de responsabilidade para com a saúde daquele que você gerou e trouxe ao mundo.


Mas se quase todas as mães têm condições de amamentar, por que o aleitamento materno ainda não alcança os índices desejados pela OMS? Se é tão importante a amamentação na primeira hora de vida, por que menos de 50% das crianças recebem leite materno ao nascer? E se as crianças devem tomar somente o leite da mãe até os seis meses, por que a média de aleitamento materno exclusivo no Brasil é de 54 dias? Continue comigo e vamos responder todas essas perguntas!

A Intenção de Amamentar

Segundo o estudo de Fernandes e Höfelmann (2018) sobre a Intenção de amamentar, mais de 90% das gestantes expressam a intenção de amamentar seus filhos por mais de seis meses. Este estudo foi realizado com gestantes em acompanhamento pré-natal, momento na qual elas elaboram a decisão de amamentar. O estudo aponta ainda que entre mulheres com maior grau de escolaridade e que possuem companheiro a intenção de amamentar, por um ano ou mais, aparece com maior frequência.

A intenção de amamentar por menos de um ano aparece, apenas, entre mulheres tabagistas, por receio de expor o bebê às substâncias tóxicas do cigarro. As mulheres com trabalho remunerado também expressam intenção de amamentar por tempo inferior, por conta das dificuldades em conciliar trabalho e a prática da amamentação. Mesmo assim prevalece, na maioria dos casos, a intenção de amamentar por pelo menos seis meses. Mas se a intenção das mães é amamentar, o que faz com que na prática a realidade seja outra?

***

A Primeira Hora de Vida

Embora a amamentação seja um processo fisiológico e natural, contudo, ela não é um aprendizado instintivo – nem da mãe, nem do bebê. Da mesma forma que o bebê não nasce sabendo mamar, a mãe não aprende, de uma hora para outra como num passe de mágica, a dar de mamar. Esse aprendizado deve ser feito passo a passo; com muita paciência da mãe e colaboração das pessoas que estão no entorno, família, profissionais da saúde e sociedade em geral.


É muito importante para a saúde do seu filho que ele seja amamentado já na primeira hora de vida. O contato pele com pele do bebê com a mãe faz com que o bebê sinta-se seguro e confortável. Além disso, o colostro (primeiro leite produzido pela mãe) é muito rico em nutrientes e vai proteger o bebê de infecções e doenças, reduzindo o risco de mortalidade neonatal.


Para os bebês prematuros o leite materno é ainda mais importante. Principalmente porque o sistema digestivo ainda não está maduro. O leite da mãe é o que vai nutrir o bebê e ajudar a amadurecer os sistemas que ainda não tiveram tempo de terminar de se formar. Os bebês prematuros podem ter dificuldade em sugar a mama. Nesse caso, a mãe deve tirar o leite e dar com uma colher ou com um copinho para o bebê.

Ainda que as orientações voltadas à saúde do seu filho afirmem a necessidade do leite materno, existem alguns fatores que atrapalham a possibilidade da amamentação do bebê na primeira hora de vida. Os partos por cesárea tendem a retardar a descida do leite e o colostro pode demorar um pouco mais a vir. Isso tudo porque no parto natural o corpo da mãe têm a percepção do nascimento do bebê. A ocitocina, substância que o corpo produz durante o parto, auxilia na descida do leite e posteriormente na recuperação do corpo da mãe.


Também existe a possibilidade do bebê demorar a aprender o movimento correto da pega da mama. Nesse caso, você pode incentivá-lo fazendo carinhos na bochecha e o deixando bem grudadinho a mama para que ele sinta o cheiro do leite. O importante para a mãe é não tomar atitudes precipitadas – como dar uma mamadeira de fórmula para a criança. A calma e a paciência são fundamentais para o êxito da amamentação. Atenção! A substituição do leite materno pela fórmula e a substituição da mama pela mamadeira fará com que seu filho não seja estimulado a aprender a mamar na teta. Além disso, quanto menos ele ficar na teta menos leite você produzirá. Não existe leite fraco ou insuficiente! Tenha certeza que o aleitamento materno é a melhor escolha para alimentação do seu bebê. Não deixe que comentários como “seu filho esta chorando porque esta com fome” ou “você não têm leite o suficiente” ou “seu leite é fraco”, mudem essa atitude tão maravilhosa que você esta determinada a fazer.

A Industria das Fórmulas, Mamadeiras e Cesáreas

Na década de 1970 observou-se uma “epidemia do desmame” – decorrente do intenso processo de urbanização, da inserção da mulher no mercado de trabalho e da propaganda e marketing, não regulados, dos leites industrializados em todo o mundo. Porém, nos anos 80 – graças às politicas e projetos voltados ao incentivo à amamentação no sistema público de saúde – o índice de aleitamento materno voltou a crescer.


No PNDS de 2009 (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Mulher e da Criança) podemos observar uma relação direta entre o aumento do aleitamento materno exclusivo e a implementação do programa Hospital amigo da Criança – no qual o hospital, para ser enquadrado, deve incentivar: o parto humanizado e natural, o aleitamento materno exclusivo e o contato pele com pele entre mãe e bebê.
Nesse sentido, o estudo também mostrou a importância de uma maior regulamentação das instituições de saúde privadas, para que não adotem como prática recorrente o protocolo de cesáreas, além do incentivo ao uso de fórmulas nas primeiras horas de vida do bebê. Lembrando que o processo do parto natural é muito importante para que o corpo da mãe entenda que o bebê vai nascer, preparando-se para produzir o colostro.

Outro fator que intervém para atrapalhar o aleitamento materno é o uso das famigeradas mamadeiras, chupetas e bicos artificiais. Estes objetos tradicionais devem ser repensados pela nossa cultura. Se antes eles pareciam essenciais nos itens da sua bolsa de maternidade, hoje podem ser descartados. Embora a maioria das mães ainda adote o uso dos bicos, eles não são nenhum pouco recomendados, pois a sucção do bebê em contato com o objeto é diferente da sucção em contato com a mama. O bebê pode, em virtude desses artifícios, acabar machucando o peito da mamãe, confundindo-o com uma mamadeira, na qual “o leite sai mais fácil”.


A chupeta – aliada das mães que desejam silenciar o choro dos bebês – é extremamente nociva a saúde do seu filho, uma vez que acaba se tornando uma espécie muleta emocional para a relação de autoconfiança do bebê, atrapalhando no desenvolvimento da relação de maturidade psicológica. Além disso, pode ocasionar problemas bucais, dentais e de fala em função de um uso prolongado.


As necessidades de carinho, segurança e nutrição devem ser suprida pela mãe. Apenas em situações nas quais a mãe não pode estar presente, podem ser substituídas pelo pai ou por outra pessoa incumbida da tarefa de acolher o bebê. Nesses casos como nos outros o fundamental é fornecer o contato pele com pele e, principalmente, oferecer o leite materno extraído da mãe ou do banco de leite com um copinho ou uma colher. Fórmulas devem ser evitadas ao máximo.

Mas, antes de encerrar uma última pergunta. Se a mãe não esta sozinha neste processo, como devem agir as outras pessoas e a sociedade em geral em relação à amamentação? Leia “Da Importância do Aleitamento Materno – Parte 2: A Importância da Família e da Sociedade em nosso blog, para compreender a importância dos outros agentes no aleitamento materno!

Deixe um comentário