Da Importância do Aleitamento Materno (Parte 2)

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A Importância da Família e da Sociedade

Embora a intenção de amamentar seja predominante entre as gestantes – como afirmam as pesquisas citadas no nosso primeiro texto da série – encontramos diversos empecilhos que muitas vezes chegam às mães trazidos pelas pessoas mais próximas, ou pela sociedade em geral. Mães que possuem um companheiro (marido/namorado), segundo Fernandes e Höfelmann (2018) expressam intenção de amamentar por mais tempo. Curiosamente, porém, as mesmas pesquisadoras apontam que, na prática, mães que não são casadas amamentam por um período mais longo. Esta relação controversa se dá, entre outros fatores, principalmente por conta da falta de preparo dos pais em apoiar as mães nessa tarefa. Muitos deles sentem-se abandonados durante o período de aleitamento ou, então, não sabem como apoiar efetivamente as mães.


O melhor dos mundos possíveis acontece quando o casal participa junto de todas as consultas de pré-natais, construindo um ambiente no qual o assunto do aleitamento materno – além de outras tantas especificidades advindas pela chegada de um filho – seja conversado entre os dois, antes da chegada do bebê. Para que essa fase tão importante da vida do seu filho seja vivenciada na plenitude do seu próprio processo, é fundamental que o pai entenda a importância do aleitamento materno para a criança, apoiando a mãe neste processo.

Mesmo sendo uma atividade e uma decisão que competem exclusivamente às mães, listamos abaixo uma série de contribuições que os papais podem aportar nesse processo:

1. O pai pode ceder seu lugar na cama para que a mãe faça cama compartilhada com o bebê quando estiver muito cansada. A cama compartilhada deve, contudo, ser feita com alguns cuidados que não estão sendo tratados nesse texto. Por isso se você optar por compartilhar a cama com o seu filho busque maiores informações.

2. O pai pode oferecer um copo de água enquanto a mãe estiver amamentando. Durante a amamentação, a mãe costuma sentir muita sede. Estar disposto a aportá-la nessa ocasião pode ser muito reconfortante.

3. O pai pode oferecer companhia silenciosa ou conversar baixinho com a mãe enquanto o bebê mama. É importante que o ambiente seja silencioso para que o bebê mame tranquilo, mas as vezes a amamentação pode ser um momento solitário para mãe. Um pouco de conversa e carinho podem fazer com que a mãe relaxe, produzindo inclusive mais leite.

4. O pai pode e deve cuidar das outras necessidades do bebê, como dar banho e trocar fraldas, além de pegá-lo no colo, conversar e brincar com ele quando não esta mamando ou dormindo. O aleitamento materno é exaustivo para mãe, sobretudo com bebês de hábitos noturnos. Assim, é essencial que o pai se ocupe também dos outros cuidados do filho e da casa para que a mãe possa descansar. Isso também fará com que se fortaleça o vínculo entre pai e filho.

Mesmo no melhor dos mundos possíveis parecem existir alguns males necessários. Ainda que o casal esteja unido para fazer o aleitamento materno acontecer, existem ainda outros empecilhos que atrapalham o pleno êxito dessa prática. Um dos principais empecilhos no aleitamento materno é a relação com o trabalho remunerado. Embora a OMS recomende aleitamento materno exclusivo até os seis meses, no Brasil a licença maternidade é de apenas quatro meses.


Existem outras leis. Ainda que a licença tenha a duração de apenas 120 dias, o artigo 396 da CLT garante o direito das mulheres de amamentar seus filhos no trabalho, até que completem seis meses de vida. Para tanto, o empregador deve conceder dois períodos de 30 minutos, um pela manhã e o outro durante a tarde para que a mãe amamente seus filhos. Além disso, as empresas que contam com mais de 30 mulheres no seu quadro de funcionários devem ter creches ou conseguir vaga em creches próximas à empresa, para que as mães que amamentam estejam próximas dos seus filhos. O empregador pode ainda construir uma sala de amamentação no espaço de trabalho, para que as mães tenham a tranquilidade de um espaço reservado para nutrir os seus filhos.

Apesar da legislação, o trabalho informal e a pouca observância das empresas em relação à lei, faz com que o retorno ao trabalho seja uma das principais causas do desmame precoce. A pesquisa: Impacto dos Aspectos Institucionais no Aleitamento Materno em Mulheres Trabalhadoras: uma revisão sistemática, de 2018, afirma que o empregador que apoia o aleitamento materno – implantando salas de amamentação, ou estendendo a licença maternidade por 180 dias – pode inclusive lucrar com tal investimento. Isso se explica pelo fato de que, em situações como essas, as funcionárias tendem a trabalhar melhor, confiar mais na empresa e valorizar mais o trabalho.


Já existem políticas públicas, cartilhas e leis que protegem e incentivam a amamentação. O papel da sociedade é pressionar as instituições para que o direito das crianças ao aleitamento materno seja respeitado. É essencial a conscientização dos pais, da família, dos profissionais da saúde, dos empregadores e da sociedade como um todo, da importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida para a redução da mortalidade neonatal; e da duração do aleitamento materno até os dois anos ou mais para crescimento saudável da criança.

Nós da Um Balalum apoiamos o aleitamento materno. Se você mamãe após ler este texto ainda ficar com dúvidas, escreva para nós. Traga suas críticas ou sugestões que vamos pesquisar e trazer informações e referências de qualidade pra você.


Referências Bibliográficas:
2006. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Mulher e da Criança. Ministério da Saúde. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnds_crianca_mulher.pdf


2018. FERNANDES, Renata Cordeiro E HÖFELMANN, Doroteia Aparecida. Intenção de amamentar entre gestantes associação com trabalho, fumo e experiência prévia de amamentação. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232020000401445&script=sci_arttext


2018. NARDI, Adriana Lüdke. FRANKENBERG, Anize Delfino Von. FRANZOSI, Oellen Stuani. ESPÍRITO SANTO, Lilian Córdova do. Impacto dos aspectos institucionais no aleitamento materno em mulheres trabalhadoras: uma revisão sistemática in Ciência e Saúde Coletiva. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232020000401445&script=sci_arttext 2000. REA, Marina Ferreira. TOMA, Tereza Setsuko. Proteção do leite materno e ética. a Rev. Saúde Pública, 34 (4): 388-95, 2000 www.fsp.usp.br/rsphttps://revistacrescer.globo.com/Bebes/Amamentacao/noticia/2016/04/amamentacao-prolongada-ate-quando-amamentar-seu-filho.html

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