Meu Filho Vai Nascer, E Agora?

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A coluna de hoje começa com um truísmo. Ninguém nasce mãe. Torna-se mãe. Nada poderia ser mais evidente do que esse simples enunciado. Quando nos é dada a graça da existência, estreamos no palco do mundo na condição de filhos. Filhos somos e filhos seremos ainda que alguns de nós possam, ao mesmo tempo, tornar-se mamães e papais. Hoje gostaríamos de refletir sobre esse tornar-se. Isto é, sobre esse movimento complicado que envolve uma espécie de passagem de nível entre a condição de filhos e a condição de pais e mães.
A mãe educa o filho, na medida em que o filho produz a mãe. Cada um de nós que já enfrentou a experiência do primeiro filho – seja você um papai ou uma mamãe – teve a ocasião de perceber a curiosa relação que se estabelece entre as necessidades dos bebês e a competência dos pais, no dia a dia das crianças. Quem nunca se julgou incapaz de cuidar de um bebê até o dia em que estava efetivamente cuidando de um?

Contudo, o fato de que essa relação, pelos próprios termos que a constitui, seja possível, não significa que ela seja fácil. No exato momento em que percebo que sou completamente capaz de dar conta dos inúmeros cuidados que meu filho demanda de mim, percebo também como é difícil estar à altura desses cuidados. Quantos de nós não vivenciam a angustia e a ansiedade de nunca ter a certeza absoluta de se estar fazendo o certo e o suficiente?


Poucos definiram tão bem essa situação como o poeta Vinícius de Moraes no poema Enjoadinho. Essa alegria do amor profundo e essa preocupação constante e detalhista caracterizam perfeitamente as maravilhas e as dores que habitam os corações de papais e mamães. Não é fácil tornar-se pai, tornar-se mãe.


A mais recente geração de papais e mamães – a qual me incluo – ainda vivencia esse processo todo dentro de um horizonte mais amplo que envolve a aceleração da modernidade e da globalização. Para nossa discussão isso significa que estamos nos tornando mamães e papais num momento em que os conhecimentos tradicionais vão perdendo força diante da avalanche de conhecimentos científicos voltados à saúde e ao desenvolvimento das crianças e dos bebês.

Além disso, em virtude da grande mobilidade urbana e mesmo dos grandes deslocamentos migratórios, muitos papais e mamães estão experienciando esse momento de transformação longe dos seus papais e de suas mamães.


É, portanto, perfeitamente natural que vivenciemos tudo isso com grande expectativa e também com grande ansiedade. Afinal de contas parecemos vivenciar esse processo a partir de um horizonte que nos distancia da tradição sem nos colocar numa situação de posse absoluta do conhecimento científico. Em poucas palavras, somos convidados, nos dias de hoje, a cuidar dos nossos filhos longe dos saberes tradicionais (representados pelos conselhos dos mais velhos) e no confronto com uma proliferação de saberes técnicos e científicos que são muitas vezes contraditórios entre si.


Nesse movimento de nos tornarmos mães ou pais tudo se passa como se fossemos uma espécie de pequeno barco que navega em mares desconhecidos. Estamos com o casco avariado e não possuímos nenhum construtor a bordo. Possuímos apenas um manual gigantesco que foi escrito numa língua que não compreendemos. E, o que é pior, não podemos ancorar para realizar os reparos. Estes devem ser feitos com o barco em movimento. E, dado que não aceitamos a hipótese de nos tornarmos náufragos sem expectadores, resistimos com todas as forças para realizar as nossas tarefas.


Nós da Um Balalum não apenas compreendemos as angústias e as maravilhas desse processo. Nós vivenciamos isso todos os dias. Nesse sentido, temos o objetivo de compartilhar com vocês uma ferramenta muito poderosa capaz de lidar com as angustias e as expectativas vinculadas a essa experiência. Que ferramenta é essa? A reflexividade.


Reflexividade, como nós usamos aqui, é um conceito extraído da filosofia e se refere ao poder do conhecimento de voltar-se sobre si mesmo. O que isso significa para você mamãe e você papai? Em primeiro lugar significa que quanto mais reflexiva for a experiência da maternidade ou da paternidade tanto menos as angustias e as incertezas ocuparão esse espaço precioso do tempo que você dedica ao seu filho. Em segundo lugar, mas não menos importante, você vai desenvolver as habilidades necessárias para encarar a profusão de conhecimentos disponibilizadas pelos modernos veículos de comunicação de maneira muito mais tranquila e proveitosa.

Como isso pode ser feito? Dizendo de maneira muito simples, basta você participar da nossa coluna. Traremos aqui de forma periódica, através do nosso corpo de especialistas, um conjunto de reflexões voltadas a tudo aquilo que você precisa saber sobre os cuidados dedicados ao seu filho. Adotaremos uma estratégia focada em dois aspectos. 1 – Apresentar conteúdos relevantes vinculados à saúde e ao desenvolvimento dos bebês e das crianças – extraídos diretamente da literatura científica dedicada aos temas selecionados; 2 – Refletir sobre esse conteúdo fomentando junto aos leitores uma postura ativa em relação ao conhecimento.


Longe de apresentar um conteúdo complexo em linguagem artificialmente simplificada, como sempre se pode encontrar por aí, nossa abordagem consiste em desenvolver junto com a leitora e com o leitor as competências necessárias para que possamos juntos dialogar com os conhecimentos. Ao invés de rebaixar o texto científico procuraremos sempre elevar a leitora ou o leitor. Longe da vulgarização procuraremos sempre a valorização.


Sintam-se, portanto, convidadas e convidados a embarcar nesse balão para que possamos desenvolver uma maternidade e uma paternidade alegres e serenas dispostas a dar vazão às maravilhas da natalidade. Escreva para a gente! Suas dúvidas, críticas e sugestões são muito importantes para construirmos essa plataforma inteiramente dedicada a você e ao seu filho.

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