Desde que nascem, em seus primeiros dias de vida, os bebês já estão se desenvolvendo, aprendendo e adquirindo sua percepção sobre a realidade. Mesmo sem a capacidade de estruturar o próprio corpo ou segurar a própria cabeça ereta, já se detêm atentos a um som que lhes prende a atenção, já respondem a um carinho que lhe fazem na bochecha ou aos olhares ternos da mãe. Este artigo têm a intenção de orientar os adultos, mães, pais e avós no dever de guiar este desenvolvimento para um aprendizado das sutilezas e apuração dos sentidos. É comum que fiquemos procurando o que fazer com os bebês. Além da amamentação, do sono e dos banhos e trocas de fralda, como interagir com o bebê? Comecemos então a reestruturar nossas questões. Na medida em que o bebê quando vêm ao mundo já está aprendendo e se desenvolvendo, colocar a nossa vontade de interação ou necessidade de distração do bebê para que ele não chore, a frente de seu aprendizado, seria priorizar as nossas necessidades e nãos as do bebê. Um bebê não precisa ser distraído, ou entretido.
Um bebê precisa de carinho e contato corporal, porque sua dimensão de ambiente e realidade ainda está ligada à simbiose. Ou seja, não há separação entre o bebê, o ambiente e a mãe. E a quebra da simbiose, ou seja, a descoberta das separações e distinções entre ele, o ambiente e a mãe deve acontecer de forma leve e gradual 1.
Assim o desenvolvimento dos sentidos está estritamente ligado à forma como o bebê vai se relacionar com a realidade e aos poucos ir percebendo as distinções entre ele e o ambiente e entre os objetos dispostos no ambiente. Para tanto devemos guiar o bebê nessa descoberta e apresentar o mundo de forma sutil para que não haja uma saturação dos sentidos.
Segundo Montessori: “É em meio aos deleites grosseiros que muito frequentemente nascem vícios e maus hábitos; na realidade, os estímulos fortes não afinam a sensibilidade, pelo contrário, embotam os sentidos que, assim terão, cada vez mais, necessidades de estímulos violentos” (Montessori, 2017 p.113). Saibamos como estimular, quando estimular e quanto estimular. Como tudo é novo, não é necessário que apresentemos estímulo exagerado, por isso as telinhas não são recomendadas, assim como música alta ou muito barulhenta.
A apuração e educação dos sentidos deve sempre pensar a leveza e a simplicidade, assim como a apresentação gradual das diferenças e qualidades dos objetos. Se, por exemplo, mostrarmos para o bebê dois objetos totalmente diferentes: um cubo, azul que vibra e faz um ruído agudo e uma bola vermelha que quica e faz um ruído grave, teremos pelo menos quatro variações de diferença. Com isso, não daremos a chance de o bebê apurar os sentidos, ou seja, perceber cada diferença em um contexto separado. Mais vale apresentar dois objetos iguais para que ele conheça as semelhanças e depois ir apresentando uma diferença por vez. A seguir apresentaremos algumas dicas de atividades para bebês na intenção dessa apuração e educação dos sentidos.
Atividades com bebês que ainda não sentam nem pegam objetos
Para os bebês que acabaram de chegar ao mundo os estímulos devem ser muito sutis. Como ainda estão muito ligados ao corpo da mãe, vale utilizar desse mesmo corpo para estimular o bebê. O bebê foi gerado no corpo da mãe, é alimentado do corpo da mãe através da amamentação e será estimulado pelo corpo da mãe. Eita mãe poderosa! 1. Colinho em diversas posições. Experimente variar a forma como você segura o seu filho, coloque-o deitado de barriga para baixo sobre sua barriga. Fique em pé e apoie a cabeça dele sobre o seu ombro. Deite-o de barriga para baixo sobre seu braço ou pernas e faça pequenos movimentos de balanço. Pode parecer simples mas a variação das maneiras como você o segura farão com que ele já esteja experimentando formas diferentes de se acomodar no ambiente. A posição de bruços é muito recomendada para que ele tente rolar e exercite o corpo, mas atenção não pode deixá-lo sozinho nessa posição. Também é preciso cuidado para não movê-lo de forma brusca ou deixá-lo cair.
2. Use seu corpo para fazer música! Pode bater palma, assoviar, cantar, estralar os dedos ou fazer batuque nas pernas. Experimente fazer um ruído diferente de cada vez com uma pausa entre eles para que o bebê possa se atentar a cada um. Você pode apagar a luz ou deixar o ambiente mais escuro, com menos luz e estímulos visuais os sons ficarão mais evidentes. 3. Caretas. As expressões faciais são bacanas para estimular o bebê porque com o tempo ele tentará imitar e aprenderá também a exercitar as próprias expressões. Lembre-se de fazer uma expressão de cada vez e de maneira lenta e pausada para que o bebê tenha tempo de assimilar o movimento.
4. Tato. Os diferentes carinhos vão ajudar a apurar o tato do bebê. Então vale fazer carinho lentamente em diferentes partes do corpo, evidencie as diferenças, toque um dedinho de cada vez, faça carinho nos pés um de cada vez e assim por diante. Cócegas e massagens leves também são bacanas. Quanto mais lentamente e pausadamente você fizer mais ele vai se atentar a cada parte do corpo e pode ser até que responda com o movimento da parte na qual você tocou. Já é o principio da coordenação motora!

5. Visão. Os bebês adoram móbiles e objetos pendurados. Construa um móbile para o seu bebê pendurando fitas curtas coloridas, potes, bolinhas ou outros objetos. É importante que os objetos estejam bem presos e que não sejam perigosos casos se soltem, não devem ser pesados e nem ter partes que possam ser engolidas. As fitas devem ser curtas para que não tenha risco do bebê se enroscar. Você pode ir alterando o móbile, pode fazer um móbile só com objetos de uma cor específica, depois ir alterando a cor. A mesma coisa vale para os formatos. O importante é focar nas nuances. A forma como você balança o mobile também pode ser diferente, uma hora você faz os objetos girarem, outra hora pode fazê-los pendular.
Atividades com bebês que já pegam objetos
Os bebês que já pegam objetos tendem a levar tudo à boca. Essa é a foma como eles descobrem e se relacionam com a realidade e, portanto, não deve ser tolida. Nesse caso, é muito importante cuidar para que os objetos que ele, eventualmente, leve à boca estejam limpos e não sejam pequenos a ponto de serem engolidos. Seguem algumas atividades para serem somadas as anteriores. 1. Deixe o bebê brincar com você, deixe-o pegar seu cabelo, morder seu nariz e puxar sua orelha. Nessa fase os bebês começam a querer experimentar tudo mais de perto, pegar, esfregar, botar na boca. Nada mais seguro que o corpo do adulto com a qual ele já esta familiarizado. 2. Texturas, Cores e Formas. Experimente oferecer objetos iguais para ele e depois vá acrescentando as diferenças. Por exemplo de duas bolas da mesma cor e tamanho, deixe ele brincar um tempo com elas. Depois dê uma bola e um cubo da mesma cor, ou duas bolas de cores diferentes. Acrescente uma diferença de cada vez e de um tempo para ele assimilar e descobrir. Com as texturas a mesma coisa, você pode dar uma bolinha fofa e depois substituí-la por uma bola de material mais firme e ir trocando.
3. Sons. Você pode começar a fazer sons com objetos ou instrumentos musicas. Vale mostrar qual objeto faz qual som, um de cada vez. Ou diminuir as luzes para que ele foque a atenção nos sons. Objetos iguais que fazem sons diferentes, como sinos, também são interessantes porque como não há diferença na forma o bebê prende mais sua atenção na diferença entre os sons.
Atividades para bebês que já sentam
Nessa fase seu bebê começará a se mover pelo espaço, a visão dele também já está mais apurada e alcança uma distância maior. Assim você pode começar a exercitar a presença e ausência de objetos, as diferenças de profundidade e distância como longe e perto e as intensidades como rápido ou devagar. 1. Exercícios de mobilidade. Deixe-o sentado, apoiado sobre almofadas e veja como ele se movimenta. Coloque algum objeto ou brinquedo próximo para que ele tente se mover para alcançar. Dance com ele e para ele. Você pode alterar a intensidade de movimentos, fazer uma dança mais lentinha e depois alterar e fazer movimentos mais velozes. 2. Esconde esconde. Os bebês não têm noção de permanência de objeto. Ou seja, se um objeto não está à vista é, para o bebê, como se ele não existisse. Exercite aparecer e desaparecer, esconda-se atrás de uma parede ou móvel. Guarde objetos nos bolsos ou em uma sacola, tire o objeto, mostre e guarde de novo. Ande com ele pelos cômodos, pegue um objeto que ele gosta, mostre para ele, deixe no comodo e vá com ele até o outro comodo, depois retorne e mostre que o objeto ainda está lá.

3. Fazendo música. Nessa idade os bebês já podem começar não só a escutar sons, mas também a produzir sons. Dê diferentes chocalhos e instrumentos para que ele descubra como fazer os sons. Sempre lembrando de oferecer um objeto de cada vez para melhor apuração dos sentidos. Não se limite às atividades propostas aqui. Inspire-se e crie novas atividades baseadas na educação dos sentidos. Assim, este texto cumprirá ainda melhor o seu propósito. Repetir nunca é demais, o importante é dar espaços para as nuances e oferecer a oportunidades para que o bebê descubra as diferenças. Sem estímulos exagerados e sem saturação de informações.
Vamos continuar juntas essa jornada. Vamos guiar nossos filhos para uma educação e aprendizado saudáveis. Inscreva-se em nosso blog para receber no seu e-mail nossos artigos semanais. Você também pode nos escrever com sugestões, críticas e questões para serem trabalhadas nos próximos artigos.
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Conte conosco! 1 Para entender melhor a questão da simbiose ler o texto “ Da importância do Amor para uma infância saudável” disponível aqui no Blog da Um Balalum! https://www.umbalalum.com/post/da-import%C3%A2ncia-do-amor-para-uma-inf%C3%A2ncia-saud%C3%A1vel
Referência Bibliográfica:
MONTESSORI, MARIA. A descoberta da criança: Pedagogia Científica. Campinas, SP. Ed. Kíriom. 2017.


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